Grito de guerra.

Qual seria o grande apelo para os países abandonarem o dólar como moeda de troca final no comércio mundial?

Seriam muitos, sobretudo o fato evidente de que para usar a moeda impressa nos EUA e nos EUA exclusivamente, é preciso vender para poder comprar, mais do que isso, é preciso que nessa troca comercial entre os países, o resultado nesse comércio seja superavitário, ou seja, vende mais do que compra.

O que me levou a pensar no objetivo desse déficit constante do comércio exterior do próprio EUA, que se mantém assim desde que me lembro e dessa forma mantém o sistema operante.

Entendeu por que?

Porque é impossível que nessa troca entre todos, ou ao menos entre os principais países do mundo, é impossível que todos ganhem, como na bolsa, alguém precisa perder para você ganhar .

Os EUA mantinham-se nessa posição negativa para que essa conta seguisse.

Mas não bastava, por mais que gastasse e consumisse, não é o suficiente para suprir a carência da moeda para todos, evidente, e nem todos conseguem ganhar ou acumular dólares suficientes para girar seu comércio exterior.

O que gerou problemas homéricos ao longo das últimas décadas, inclusive aqui no Brasil, que saiu desse ciclo negativo somente após os governos Lula e Dilma, e finalmente conseguimos reservas cambiais suficientes para nossos acordos internacionais.

Pela primeira e única vez na nossa história e que perdura até hoje .

Essa a história, sem os dólares ninguém faz comercio internacional , ou melhor, não fazia.

De uns anos para cá vários blocos estão discutindo a possibilidade de abandonar a intermediação do dólar, utilizando suas moedas próprias ou uma terceira.

Processo ainda no seu início mas que me parece inexorável, vai aos poucos acontecer .

E agora um ingrediente importante está sendo adicionado ao processo, e que tem potencial para imprimir grande velocidade a proposta, que é utilizar esse objetivo como cimento de união entre grupos distintos.

Explico.

No caso dos Brics, o apelo de abandono do dólar é mais evidente ideologicamente até, Rússia e China são adversários políticos e econômicos dos EUA, e mesmo assim faltava nesse grupo alguma coisa que os unisse ainda mais, faltava um objetivo e uma base comum mais forte.

O abandono do dólar e uma moeda comum interna pode ser esse elemento que faltava.

Lula parece que entendeu assim e repetiu a fórmula agorinha na reunião da UNASUL ressuscitada, propôs ao grupo uma moeda comum para suas trocas comerciais, elevando o status da união e acenando para um objetivo comum poderoso.

Pode dar certo e pode ser o que faltava por aqui também.


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