Esquentando os motores

A aprovação da urgência na Câmara dos Deputados do PL 2630 das Fake News não foi o teste que até então aguardávamos.

Na seção seguinte onde a votação seria consumada assistimos a desistência das partes interessadas, diante da incerteza da aprovação, e descobrimos que o governo mesmo não era bem uma delas.

O projeto estava bem exagerado e tratando de assuntos misturados, talvez na espectativa de somar interesses e facilitar a tramitação. Ocorreu o oposto, trouxe insegurança por sua abrangência mal resolvida e acabou sendo adiado para maior discussão.

Pois bem, após o adiamento não ouvimos lamentos do governo, nenhuma queixa e ninguém passou recibo.

A impressão foi de página virada, que o tempo encarrega de confirmar.

Desconfio dessa votação que foi marcada na terça feira, logo após o feriado, quando ausências de inúmeros deputados são comuns, tanto que no dia seguinte, com um número maior de presenças, a Câmara aprovou outra urgência, dessa vez com diferença a favor muito maior do que a registrada no PL 2630.

A nova urgência trata da intenção de derrubar uma Medida Provisória do governo, de saneamento básico de estados e municípios para contratação de serviços públicos no setor. ( Atualizando : O que de fato ocorreu na sequência da seção de ontem)

Esse tipo de iniciativa de manter dificuldades para o setor público e facilidades para o privado, talvez seja de fato uma característica desse Congresso de maioria conservadora.

Mas pode ser outra coisa, mais uma enrolada do grupo do Lira para mostrar serviço enquanto crítica a costura política do governo na sua relação com a casa legislativa.

Essa derrubada ainda vai passar pelo senado, e vamos ver como a coisa anda por lá, exatamente a tramitação das MP nas casas legislativas, câmara e senado, o motivo da briga entre Lira e Pacheco para decidir qual rito seguir.

Prevaleceu o rito normal, de antes da Pandemia, que iguala as forças entre as casas.

Lira tentou manter o critério que favorecia a Câmara, e por consequência o seu comando nessa matéria de apreciação das MP, mas foi derrotado.

Um grande teste sobre a base do governo está por vir, parece que Haddad costurou bem os interesses para aprovar o seu novo Arcabouço Fiscal, dizem que em duas semanas, amalgamando interesse dos vários grupos conservadores e o progressista que apoia o governo .

E dessa forma que enxergo essa base no congresso, por curioso que pareça vai ser mais fácil votar e aprovar os grandes projetos do que os pequenos.

Para os grandes o governo trabalha bem na amarração dos interesses e consegue os números.

Nos pequenos e médios projetos a coisa me parece que vai andar nessa base de lenta para parado e até adversa.

Teremos alguns poucos projetos relevantes aprovados, porque poucos serão encaminhados nesse início do governo, e muita emoção e traição nos pequenos e médios e muita emenda pra liberar.

É assim que vamos.

E, se confirmada a previsão aqui de que os grandes interesses vão prevalecer, menos mal.

Aos trancos e barrancos vamos seguindo.


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