A minha bolha.

A sociedade sempre foi dividida em bolhas.

Até ontem eu entendia a divisão como mera escala de renda, com extratos definidos a partir do dinheiro ou patrimônio que a pessoa ou a família dispunham.

A obra do Jessé de Souza explicitou uma impressão que ultrapassavam meu entendimento, ancorada numa impressão pessoal obtida na convivência em espaços públicos, lazer ou cultura, estudo, pratica esportes etc , que tão importante quando a renda era a bagagem do indivíduo, seu patrimônio invisível.

Que a obra explica bem.

Esse patrimônio invisível supera o outro, o que é visível em dinheiro e cor de pele, porque excetuando a perspectiva das pessoas grosseiras e racistas,coisas assim, funciona com sutis gestos e escolhas bem delimitadas e rigorosamente praticadas.

Leia o livro para saber melhor, chama A Elite do Atraso.

Faço essas observações porque por escolhas eu sempre vivi rompido com meu extrato, minha classe, e sempre preferi o olhar daqueles que fazem avançar a história.

Minha juventude foi na ditadura e desde cedo entendi que viver dentro desse sistema e reproduzi-lo me traria imensa tristeza e dor.

E foi, porque nem sempre me foi permitido escolher e precisei seguir o curso de profissão e trabalho duro para sustentar a família.

Foram 35 anos de trabalho, com todos os altos e baixos que a profissão de engenheiro autônomo exige nesse nosso mundo e no nosso Brasil particularmente.

Não posso abandonar o exercício dessa profissão, que ainda aprecio, mas decidi seguir paralelamente com uma outra vocação: escrever.

De início consultei velhos e novos amigos e amigas, que entre educados e solidários me estimulam a tentar.

E vou fazer isso.

Não prometo nada, sobretudo para mim mesmo, mas vou teimar nessa tarefa até porque faço com alegria e interesse.

Convido que me acompanhem, vou devagar porque pretendo seguir firme e tentar ir o mais longe possível.

E contarei com a ajuda de vocês,uma jornada dessa natureza solitária não faz sentido algum.

Acho que terá algum valor, veremos.

Juntos?


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